Por Mariana Moreira
Mesmo para aqueles que não nasceram ou cresceram durante a década de 1990, ainda assim é difícil que muitas de suas obras audiovisuais não tenham pertencido também ao público que acompanhava principalmente os filmes desta época, mas já haviam nascido nos anos 2000. Por apenas dois anos de diferença não nasci na virada do século XX para XXI, mas, felizmente, muitos programas e filmes da década de 1990 são uma grande parte dentre os que eu mais consumia e me lembro com carinho até hoje. Porém, sempre há alguma peça que falta no quebra-cabeças e, por pura curiosidade (nada mais que isso), resolvi assistir a um filme que, no ano de 1997, trouxe uma história pouco convencional, mas criativamente incomum.
Baseado livremente nos livros de Mary Norton, “The Borrowers” (Os Pequeninos, em sua tradução brasileira) nos oferece um olhar através de uma lente maior, literalmente, em torno da família Clock. Estes são pequenos seres humanos vivendo no interior da casa do jovem Pete Lender e seus pais. “Borrowers” traduzindo literalmente são “aqueles que pegam emprestado” e é exatamente isso que fazem com os objetos dos gigantes humanos quando estes não estão olhando. Quando Pete faz amizade com os Clocks, eles se unem em uma aventura tamanho família para recuperar o testamento deixado por sua tia-avó que garante o direito sobre sua casa, antes que seja demolida pelo inescrupuloso advogado Ocious P. Potter.
A narrativa por si só não contém um foco muito maior além de oferecer algo leve e divertido, principalmente entre o público familiar, mas que também consegue entreter quando é assistida por apenas um telespectador, sendo que tanto as atuações do elenco quanto aspectos da técnica e estética de produção são o ponto alto do filme.
Embora assuma o papel de antagonista, o personagem de John Goodman foi quem eu considerei mais carismático, mesmo este indo contra tudo e todos para conquistar seus objetivos. A situação do personagem de Goodman segue em paralelo dentro do cômico e trágico, quando suas tentativas de tentar expulsar os pequeninos da casa resultam em atos falhos através de situações imprevistas. Já dentro da produção, elementos como a direção de arte, cenografia e figurino não apenas conseguem criar a devida atmosfera visual para o filme, como também entregam algo próprio dentro do universo da narrativa.
O que mais me chamou a atenção foi o fato de as roupas utilizadas pelos pequeninos serem feitas de nada menos que objetos como botões e novelos “emprestados” pelos humanos. Além de John Goodman, que na minha opinião faz parte de uma leva de atores responsáveis por moldar minhas memórias afetivas dentre filmes, o restante do elenco de “Os Pequeninos” conta com nomes estelares do cinema britânico como Jim Broadbent, Celia Imrie, Mark Williams e Hugh Laurie, além de nos apresentar a Tom Felton antes deste ser mundialmente conhecido por seu papel como Draco Malfoy na franquia “Harry Potter”. Coincidentemente, Jim Broadbent e Mark Williams também tiveram papéis importantes na franquia do bruxinho.
O filme teve direção de Peter Hewitt e abriu em 2º lugar em sua estreia no Reino Unido. Apesar de ter recebido alguma atenção por ser uma produção britânica com elenco de peso e até indicações ao BAFTA, sua recepção crítica foi morna e o desempenho de bilheteria ficou abaixo das expectativas. Mesmo não tendo se traduzido em um grande impacto cultural ou popularidade duradoura, vale conferir o filme dentro de suas próprias expectativas por demais fatores que foram alvos de críticas positivas, como o apelo visual e o humor físico, em um dia que venha aquela vontade de querer assistir algo pouco conhecido, mas que chame a atenção primordialmente por não prometer muito mais além daquilo que propõe entregar.