Por Mariana Moreira
Quando doze filhos viram espetáculo
Durante a primeira década dos anos 2000, o cinema foi responsável por produzir uma gama de comédias familiares que por mais que não tenham agradado tanto a crítica, foram recebidas com o calor do público. Entre elas estão a dupla Doze é Demais e sua sequência, protagonizadas por ninguém menos que Steve Martin. O primeiro filme foi lançado em 2003, enquanto o segundo foi lançada em 2005. Ambas foram distribuídas pela 20th Century Fox, antes desta ser adquirida pela Walt Disney Company. O gênero das comédias com um apelo familiar pode parecer um tópico que nos últimos anos tem ficado ultrapassado, mas no caso destes dois filmes, revisitá-los mais de uma década após terem sido lançados não é apenas sobre se divertir, mas sobre redescobrir a importância dos laços de união, seja ela familiar ou entre amigos e isso é algo que considero que não sai de moda.
Doze é Demais: caos doméstico e coração
Dirigido por Shawn Levy, no primeiro filme o dilema principal gira em torno de conciliar trabalho e família. Tom Baker (Steve Martin) aceita um novo emprego como treinador de um time universitário, enquanto sua esposa Kate (Bonnie Hunt) tenta lançar um livro sobre suas vidas com 12 filhos. O resultado é uma avalanche de situações engraçadas e tensas, desde corridas escolares até desastres dentro de casa. O humor físico e ritmo acelerado são os principais fatores responsáveis por tornar essa comédia leve e acessível para todas as idades.
O elenco é um de seus pontos altos, trazendo tanto carisma quanto esbanjando doses diversas de tipos de emoção. Steve Martin e Bonnie Hunt trazem química e companheirismo como casal, além de contar com outros rostos conhecidos como Hilary Duff, Tom Welling e Piper Perabo, cada um representando diferentes fases da vida dos filhos.
Mesmo com críticas mistas, o filme se tornou um sucesso de bilheteria, sendo até hoje lembrado como um clássico moderno das comédias familiares graças a sua energia caótica e pelo retrato carinhoso da vida em família.
Doze é Demais 2: férias nada tranquilas
A continuação foi dirigida por Adam Shankman e levou a fórmula de seu antecessor a um novo cenário, ampliando o humor e os conflitos. Os Bakers tinham tudo para ter agradáveis férias em família no Lago Winnetka, mas tudo muda quando reencontram os Murtaughs, uma família rival liderada por Jimmy (Eugene Levy). A disputa entre os clãs se torna o motor da narrativa, com competições esportivas, provocações e situações cômicas que exploram o contraste entre estilos de vida.
Se o primeiro filme tinha uma dose maior de drama ao abordar a dificuldade de conciliar carreira e família, a sequência aposta ainda mais no humor físico e rivalidades caricatas. Embora menos centrado na vida cotidiana, o filme mantém a essência: mostrar que, no fim, união e afeto são mais importantes que qualquer vitória. Mesmo não tendo alcançado o impacto do filme original, ambos transmitem temas e mensagens que continuam relevantes.
Família como prioridade: ambos reforçam que, apesar do caos, o amor e cooperação são fundamentais.
Equilíbrio entre carreira e vida pessoal: dilema central do primeiro filme, fazendo a narrativa funcionar como um retrato do cotidiano.
Rivalidade e empatia: explorado na sequência, mostrando que as diferenças podem ser superadas.
Doze é Demais e sua sequência são lembranças de um tempo em que o cinema familiar apostava no exagero para arrancar risadas. Mais do que a comédia, eles celebram o valor da união e da convivência. Revisitar estes filmes é mergulhar em uma nostalgia divertida e, quem sabe, refletir sobre como o caos pode ser também uma forma de amor.