Projeto A Sala

Críticas

A Múmia (1999) | O Retorno da Múmia (2001) | A Múmia: Tumba do Imperador Dragão (2008)

Por Mariana Moreira

Revisitando uma das franquias que mais me agradam, a trilogia de A Múmia estrelada por Brendan Fraser é uma ótima opção para quem quiser se inserir em um contexto histórico, personagens cativantes e uma narrativa que sabe misturar bem elementos de humor com horror. O primeiro filme foi um remake baseado na obra original de 1932, como parte de uma série de filmes da Universal Pictures intitulada Universal Monsters, sendo seis de suas obras focadas na temática da múmia (1932-1955).

No caso desta trilogia “modernizada”, Stephen Sommers assume a direção e roteiro dos dois primeiros filmes, trazendo aspectos que se assemelham em ambas as obras como estética visual, atuações e trilha sonora. Não por necessariamente se manter dentro da linha da narrativa que envolve o despertar de múmias no Egito do século XX, mas considero os dois primeiros filmes os melhores por conseguirem caminhar lado a lado em termos de andamento e cronologia das narrativas, além de saber desenvolver os personagens de forma que não percam suas características mais marcantes. O cenário egípcio em sua paleta de cores tão singular, contém tanto elementos para quem se interessa por história e arqueologia, como para quem procura uma bela dose de aventura. O terceiro filme por sua vez teve direção de Rob Cohen, enquanto Stephen Sommers desempenhou um outro papel ao ser um dos produtores do terceiro capítulo da franquia. Embora também focado em uma múmia como antagonista, o terceiro filme se desvia da fórmula dos filmes anteriores ao ambientar a narrativa na China e trazer em perspectiva as mitologias orientais e o contexto histórico das dinastias chinesas.

O Renascimento do Monstro (1999)

Esta versão trouxe de volta a figura lendária Imhotep, interpretado por Arnold Vosloo. O longa combinou elementos de horror gótico com ação no estilo Indiana Jones, apresentando Rick O’Connell como herói improvável e Evelyn Carnahan como a erudita que se vê envolvida em uma trama sobrenatural. O filme conquistou o público e crítica ao revitalizar o interesse por narrativas ambientadas no Egito Antigo, com cenários grandiosos e efeitos visuais que, para a época impressionavam. Um fator da produção que nem todos saibam é que mesmo a narrativa tendo como ponto principal ser ambientada em solo egípcio, na realidade, as filmagens principais foram ocorridas no Marrocos, devido a instabilidade política que ocorria no Egito, com cenas adicionais no Reino Unido. A equipe enfrentou tempestades de areia, desidratação e cobras na região do Saara, necessitando de cuidados médicos. O equilíbrio entre aventura, romance e humor foi essencial para transformar o longa em um sucesso duradouro, tornando-se referência para o cinema de ação dos anos 90.

Expansão e Espetáculo (2001)

Dois anos depois, o segundo longa ampliou o universo e apostou em efeitos ainda mais ambiciosos. Assim como seu antecessor, o segundo filme também contou com filmagens ocorridas no Marrocos, além de cenas de ação e efeitos na Jordânia, uso de estúdios e cenas interiores no Reino Unido. Foi também o primeiro trabalho no cinema de Dwayne Johnson, sendo creditado por seu nome de ringue “The Rock”, no papel do Escorpião Rei. Mesmo com críticas mistas – especialmente em relação ao CGI datado já na época – o filme manteve o tom grandioso e reforçou o carisma da dupla protagonista. Brendan Fraser e Rachel Weisz mantém sua química e cumplicidade ao não apenas serem representados como um casal, mas como dupla imbatível quando se trata de colocar as múmias em seu devido lugar. O que particularmente acho algo devidamente construído foi como a personagem de Evelyn evolui do status de “donzela em perigo” para um papel mais igualitário junto de Rick ao mostrá-la como alguém que sabe tanto lutar quando necessário, mas sem perder sua inteligência e feminilidade. Neste caso, Evelyn é o cérebro, enquanto Rick é o músculo. Freddie Boath, intérprete do filho de 8 anos do casal, Alex, merece igualmente destaque por sua atuação ligeira e perspicaz. A sequência também aprofundou a mitologia, explorando novos artefatos e maldições, e trouxe cenas memoráveis como a batalha final contra o híbrido Escorpião Rei. O resultado foi um espetáculo visual que garantiu a continuidade da saga e consolidou Fraser como ícone da aventura cinematográfica.

A Última Aventura (2008)

Neste terceiro e, suposto, último capítulo da franquia, a ação migrou para a China, explorando novas mitologias e vilões. Embora o terceiro seja levemente inferior aos dois anteriores, confesso que não considero tão desinteressante mudar a fórmula da narrativa mantendo a ideia central: uma múmia como ameaça sobrenatural. Talvez o motivo de o terceiro filme ter me agradado tenha sido que particularmente sou grande admiradora da cultura e história oriental e de acordo com o próprio diretor, Rob Cohen, este mesmo nutria um fascínio pela cultura chinesa e sua história, portando insistiu que as filmagens realmente fossem feitas o máximo possível no país e fez o possível para que a antiga cultura chinesa e arte fossem retratadas de forma mais autêntica possível. Jet Li assume o antagonismo no lugar de Imhotep, no papel do imperador Han. Além de contar com demais personalidades influentes do cinema oriental como Michelle Yeoh, que interpreta a feiticeira Zi Yuan. Mesmo com a presença e espírito aventureiro de Brendan Fraser, a ausência de Rachel Weisz é sentida. A atriz que a substitui, Maria Bello, traz uma Evelyn O’Connell significantemente diferente não necessariamente para um lado negativo, mas sua interação com o personagem de Fraser e outros do elenco fica mais fria e perde mais a química. O filme buscou renovar sua fórmula ao incluir o filho do casal, Alex, agora com 21 anos, como personagem ativo na trama. Porém, a recepção ao terceiro filme foi mais negativa comparada com os outros, apesar de ter se saído bem nas bilheterias. Ainda assim, o longa encerrou a trilogia principal, deixando um legado de diversão escapista e efeitos que, embora datados hoje, marcaram o início dos anos 2000.

Após especulações, segundo notícias oficiais dadas no final de 2025, um quarto filme da franquia pode estar a caminho com o retorno de Brendan Fraser e Rachel Weisz, sendo que este pode ignorar os acontecimentos do terceiro filme e ter novamente o foco no espírito de aventura e humor dos filmes de 1999 e 2001.

A trilogia A Múmia não apenas reviveu um ícone do cinema de terror, mas também ajudou a moldar o gênero de aventura sobrenatural no cinema contemporâneo. Hoje, mesmo com efeitos que envelheceram e roteiros que podem parecer simplistas, a trilogia permanece como um exemplo de como o cinema pode reinventar mitos antigos para novas gerações. Revisitar esses filmes é revisitar uma época em que o cinema buscava equilibrar espetáculo visual com narrativas clássicas, criando obras que, mesmo com suas imperfeições, continuam a despertar nostalgia e fascínio.

O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.