Por Mariana Moreira
É um tanto difícil encontrarmos alguém que não tenha crescido ou acompanhado de perto as animações da Disney e não se sentiu profunda e positivamente impactado a ponto de determinado longa ter uma influência que continua até na vida adulta. Lançado em 1989, A Pequena Sereia deixou sua marca em um momento que o Walt Disney Animation Studios passava por certas dificuldades com suas animações anteriores. A chamada “Era de Bronze da Disney” ou “Era Sombria” (1970-1988), foi um período em que, mesmo com um declínio comercial e criativo, produziu animações memoráveis, mesmo apostando em um baixo orçamento e uso de xenografia e um estilo de traços mais grossos. Algumas delas são Aristogatas (1970), Bernardo e Bianca (1977) e O Cão e a Raposa (1980), que apesar de terem menor impacto comercial, fizeram parte da memória coletiva de muitos.
Voltando o foco novamente à história de Ariel, a clássica animação foi responsável por dar início ao que seria o próximo período de sucesso crítico e comercial da Disney, denominado “O Renascimento da Disney” (1989-1999), onde o estúdio recuperou seu prestígio crítico e comercial, produzindo clássicas animações musicais marcantes após uma era de declínio. Mas por que falar sobre A Pequena Sereia tantos anos após seu lançamento?
Vagamente baseado no conto de fadas dinamarquês homônimo de 1837 escrito por Hans Christian Andersen, o longa foi dirigido e roteirizado por John Musker e Ron Clements. Sua produção ficou encarregada a Musker, junto com Howard Ashman, que junto a Alan Menken escreveu as canções do filme; Menken, por sua vez, também foi responsável por compor a trilha sonora. A história gira em torno de Ariel, uma princesa sereia adolescente, que insatisfeita com a vida no mar e com um desejo de explorar o mundo humano, se apaixona pelo príncipe Eric e acaba fazendo um acordo com a bruxa do mar, Úrsula, para se tornar humana e ficar com ele.
A animação traz uma atemporalidade ao destacar temas centrais como liberdade, identidade e amor. Ariel, como protagonista, se torna um símbolo de independência e coragem ao deixar que sua curiosidade fale mais alto para que possa finalmente se aventurar ao desconhecido. Úrsula por sua vez, embora seja a antagonista, se tornou uma das vilãs mais icônicas e memoráveis da Disney e particularmente acho que a personagem poderia ser a próxima a ganhar um f ilme solo que introduzisse sua origem e contasse o que a levou a ser esta vilã como nós a conhecemos, como no caso dos live-actions de Malévola (2014) e Cruella (2021).
A Pequena Sereia não apenas nos trouxe uma narrativa encantadoramente envolvente, mas é reconhecida até hoje com uma das produções responsáveis por trazer de volta à Disney o respeito e o reconhecimento perdidos. Vencedora de dois Oscars, nas categorias de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original por “Under the Sea”, também se tornou o primeiro longa de animação a ser indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Comédia ou Musical. Se tornou um sucesso comercial, recebendo aclamação da crítica com elogios voltados aos personagens, música e animação.
Mais de três décadas depois, A Pequena Sereia continua encantando novas gerações por suas músicas singulares, personagens cativantes e temas universais como compaixão e autoconhecimento. É um convite para aqueles que queiram revisitar ou até mesmo assistir pela primeira vez um clássico que tanto marcou a infância e crescimento de muitos, como pode também nos fazer querer expandir nossos horizontes e moldar a forma como enxergamos o mundo à nossa volta.