Projeto A Sala

Críticas

A Bela e a Fera (1991)

Por Mariana Moreira

Me lembro exatamente de muitas animações clássicas que acompanharam meu crescimento e mantém firme o mesmo impacto agora como uma jovem adulta. Não é pelo simples fato de especificamente as animações produzidas pela Disney terem moldado a maior parte do meu gosto pelo gênero, mas também por algumas das minhas prediletas fazerem parte do período denominado “Disney Renaissance” ou “Renascimento da Disney”, que dos anos 1989 a 1999 o estúdio voltou a produzir filmes de animação de sucesso comercial e\ou de crítica. São muitos os deste período que estão entre os que guardo com mais carinho e vou falar um pouco mais sobre um dos contos de amor mais profundos que já vi ser retratado para o cinema, “A Bela e a Fera”. 

Baseado no homônimo conto de fadas francês, o filme teve direção de Gary Trousdale e Kirk Wise e roteiro de Linda Woolverton. Walt Disney havia tentado adaptar o conto para uma animação entre as décadas de 1930 e 1950, mas sem sucesso. Inicialmente não concebido como um musical, o executivo da Disney Jeffrey Katzenberg não considerou satisfatórios os esforços do diretor contratado pelo estúdio, Richard Purdum, de adaptar o conto em um drama de época. 

Devido ao grande sucesso de “A Pequena Sereia”, Katzenberg ordenou que todo o filme fosse reformulado em um musical com canções originais novamente com a colaboração entre o letrista Howard Ashman e o compositor Alan Menken. “A Bela e a Fera” é dedicado a Howard Ashman, que faleceu em decorrência da AIDS oito meses antes de seu lançamento. Algo que considero um gesto nobre e atencioso, e que me comove ao final dos créditos da animação é a homenagem deixada para o letrista; “To our friend Howard, who gave a mermaid her voice and a beast his soul, we will be forever grateful.” (Para nosso amigo Howard, que deu a uma sereia sua voz e a uma fera sua alma, seremos eternamente gratos). Não apenas considero comoventes as palavras feitas para Ashman, mas o que me toca é o fato de concordar profundamente com seu contexto. De fato, ao dar o devido esplendor a voz de Ariel, nada mais justo do que o letrista transformar a alma melancólica de uma Fera em um sentimento de amor florescente em uma das trilhas sonoras mais memoráveis das animações feitas pela Disney, que foi responsável por levar duas estatuetas do Oscar de Melhor Canção Original (Beauty and the Beast) e Melhor Trilha Sonora Original. 

Além disto, demais fatores marcantes do filme incluem ter sido a primeira animação a vencer o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia e receber uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. Todos estes elogios e reconhecimentos já deveriam ser motivo suficiente para não considerar esta joia da animação como uma das melhores de todos os tempos, levando principalmente em conta sua história e lições atemporais. Seja pela personagem Bela, uma de minhas personagens favoritas, que desafia os padrões da época ao ser uma mulher com um gosto voraz pela leitura e com sonhos de explorar algo além de sua simples aldeia, a própria Fera que em um gesto de amor recíproco tem sua maneira de olhar para o mundo com um viés transformado e a mensagem principal por trás da narrativa que não devemos nos deixar julgar pelas aparências, pois a beleza está em nosso interior.

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