Projeto A Sala

Maurice’s bar (2023)

Maurice’s bar (2023)

Críticas Maurice’s bar (2023) Por Ricardo Rodrigues Maurice’s bar é um curta metragem de quinze minutos dirigido por Tom Prezeman e Tzor Edery, adota a técnica de animação quadro a quadro (cerca de 20 frames por segundo. Essa dedução atribuí ao notar que a animação não é extremamente fluída).  Com traço volumoso e cheio de detalhes, que possui uma palheta de cor relativamente simples baseada em tons de cinza, preto, branco e vermelho: e as escolhas destas cores é estruturada para causar ao espectador uma sensação de intensidade, sensualidade (com erotismo que é muito presente) e principalmente tensão. A premissa é relativamente simples, mas o roteiro é complexo ao abordar as memórias de um bar QUEER que foi atacado por oficiais nazistas.  Além de Maurice, conhecemos outros personagens (que não possuem nome) e somos apresentados à rotina do bar, que rolam flertes, shows de dança e performances, além de conversas descontraídas sobre a comunidade ao todo. Maurice é uma pessoa transgressora, havia tatuagens, era judeu e homossexual. Em1909 teve o bar atacado por fascistas que queriam repreender toda “degeneração” que o Bar representava, algo que infelizmente vemos nos tempos atuais. É importante que essas histórias sejam contadas, conhecer o passado para compreender o presente na intenção de que esses atos não sejam cometidos. Até hoje, o maior ato de rebeldia é a resistência nua e crua de uma comunidade que é o alvo da intolerância… Por alguma razão, o curta metragem me lembrou o ocorrido no “Ferro’s bar” aqui no Brasil no contexto da ditadura militar ocorrido em 1964-1985, o futuro repete o passado seja na França ou no Brasil. Maurice’s bar está disponível na Mubi, se quiser assistir vale muito a pena! O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

A Morte lhe Cai bem

A Morte lhe Cai bem2

Críticas A Morte Lhe Cai Bem Por Danielle Delaneli “A Morte Lhe Cai Bem” é uma comédia satírica que explora a obsessão contemporânea pela juventude e a rivalidade feminina de forma hilariante e provocativa. Dirigido por Robert Zemeckis, o filme traz Meryl Streep como Madeline, uma atriz envelhecida e egocêntrica, e Goldie Hawn como Helen, sua antiga amiga e rival. Ambas competem pelo amor de Ernest (Bruce Willis), um médico que se vê no meio dessa disputa. A rivalidade entre Madeline e Helen é emblemática do que muitas mulheres enfrentam: a pressão para serem vistas como jovens e atraentes. O filme utiliza essa competição para criticar os padrões de beleza impostos pela sociedade, mostrando como essas expectativas podem levar as mulheres a ações desesperadas e até mesmo perigosas. Quando as duas descobrem um elixir que promete a imortalidade, a história ganha contornos absurdos, refletindo sobre as consequências da busca insaciável pela perfeição. O humor grotesco se torna um veículo para discutir questões sérias sobre a identidade feminina. À medida que Madeline e Helen se tornam cada vez mais obcecadas por suas aparências, o filme revela a futilidade dessa busca. A rivalidade delas evolui para uma batalha cômica que questiona o que significa realmente viver e envelhecer.  Além disso, “A Morte Lhe Cai Bem” destaca como a amizade feminina pode ser prejudicada por inseguranças e competitividade. No final, o filme não apenas diverte, mas também provoca reflexões sobre a natureza da beleza, da amizade e das expectativas sociais colocadas sobre as mulheres. É uma obra que permanece relevante, convidando o público a rir enquanto reflete sobre suas próprias percepções de envelhecimento e valor pessoal. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Zorra Total

zorra total

E se o programa fosse exibido em 2025? Zorra Total foi um seriado exibido na emissora Globo entre 99 e durou até os anos de 2015…

Tapas e Beijos

tapas e beijos com Fernanda Torres

Tapas e beijos foi um seriado brasileiro que durou de 2011 a 2015, contando com um elenco de peso (Fernanda Torres…

Feliz ano novo cinéfilo!

Feliz ano novo cinéfilo!

Críticas Feliz ano novo cinéfilo! Por Larissa Blanco O Oscar já passou, fizemos história, ainda existem algumas discussões em volta de algumas vitórias mas até aí, não é nada de novo, sempre haverão diferentes níveis de descontentamento e comemoração numa premiação como essa. Mas agora finalmente podemos deixar os filmes de 2024 no passado (particularmente eu não aguento mais falar dos filmes dessa temporada de premiação kk)  e olhar para o calendário de lançamentos de 2025. Por isso, hoje trago aqui alguns títulos para ficarmos de olho, que tem lançamento previsto para esse ano, e que até mesmo podem ganhar força na próxima temporada de premiações (e consequentemente serem lançados apenas em 2026 no Brasil……enfim, vamos acompanhar). Mickey 17, dirigido por Bong Joon Ho Esse filme está há pelo menos uns dois anos tendo lançamento adiado, sendo jogado de lá pra cá, mas finalmente ele está entre nós! Chega hoje (quinta. 06/03) aos cinemas brasileiros o primeiro trabalho do diretor desde o premiadíssimo “Parasita”, e eu estou bem ansiosa para conferir se a espera valeu a pena. No elenco temos Robert Pattison como o protagonista, um trabalhador descartável enviado numa missão de colonização que tem suas memórias transferidas para um clone dele mesmo a cada vez que ele morre, e partindo do número no título, parece que esse processo acontece bastante. Essa premissa já é absurda, as impressões iniciais estão positivas, e eu confio no diretor para ter boas expectativas. Blue Moon, de Richard Linklater Não sei se dá para categorizar esse filme como biografia, mas o que se sabe até agora é que ele acompanha o premiado compositor Lorenz Hart num período complicado da vida, às vésperas da estreia do musical “Oklahoma!””. No elenco estão nomes como Ethan Hawke, Margaret Qualley e Andrew Scott. O filme já passou pelo festival de Berlin, onde Andrew Scott venceu o Urso de Prata de ator coadjuvante.  Frankenstein, de Guillermo del Toro Uma nova adaptação do horror gótico da Mary Shelley vem aí! E nas mãos de um dos meus diretores favoritos! Estou bem curiosa sobre qual será a abordagem do del Toro a essa história que é tão presente no nosso imaginário coletivo e tão diferente do material base. O elenco conta com Mia Goth, Jacob Elordi, Christoph Waltz e Oscar Isaac, e o lançamento está marcado para o fim do ano.  The Bride! de Maggie Gyllenhaal Também marcado para o fim do ano, e com temática mais ou menos parecida, temos o novo filme da Maggie Gyllenhaal, que teve sua estreia na direção alguns anos atrás com o belo “A filha perdida”. As poucas descrições do filme dizem ser um romance com suspense policial, temperado com as mudanças sociais dos anos 30. Temos um elenco de peso, como Christian Bale, Jessie Buckley, Peter Sarsgaard, Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal, e outros. Estou muito curiosa para a visão feminina dessa história que, vamos lembrar, originalmente foi escrita por uma mulher. O agente secreto, de Kléber Mendonça Filho Com Wagner Moura como protagonista, o filme se passa em Recife na década de 70, um período turbulento para o Brasil e para o mundo também, acompanhando um personagem com um passado violento. Pouco se sabe ainda, mas expectativas estão sendo criadas, principalmente por esse momento maravilhoso que o cinema nacional vem vivendo. O filme não tem data de estreia ainda, mas tem gente que aposta nele na seleção de Cannes deste ano.  Hamnet, de Chloe Zhao Não sei quantos de vocês acompanham as bookredes, mas quando Hamnet da Maggie O’Farrell foi publicado gerou toda uma comoção, só li elogios a obra. Nela acompanhamos Shakespeare enquanto escreve Hamlet, durante o período de luto pela morte precoce de seu filho e sua relação com as mulheres de sua vida. Vai ser adaptado pela Chloe Zhao (vencedora do Oscar por Nomadland) e conta com Paul Mescal, Jessie Buckley e Joe Alwyn no elenco. Ainda não tem data de lançamento. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Orfeu Negro

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Críticas Orfeu Negro: Entre a Beleza do Carnaval e as Sombras da Representação Por Danielle Delaneli Dirigido por Marcel Camus e lançado em 1959, Orfeu Negro é um filme que se destaca não apenas por sua estética vibrante e sua trilha sonora envolvente, mas também por suas complexas representações culturais e sociais. Adaptado da peça “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes, o filme transporta a história clássica de Orfeu e Eurídice para o contexto do Carnaval carioca, oferecendo uma nova perspectiva sobre amor, perda e a luta entre a vida e a morte. Um dos aspectos mais notáveis da obra é sua cinematografia. Camus utiliza cores vivas e uma direção de arte exuberante para capturar a essência do Rio de Janeiro durante o Carnaval. As cenas de dança e música são coreografadas de forma a criar uma atmosfera quase mágica, que transporta o espectador para o coração da cultura brasileira. A trilha sonora, que combina bossa nova e samba, não apenas complementa a narrativa, mas também se torna um personagem à parte, imortalizando o filme na história do cinema. Orfeu Negro não só encantou o público com sua estética, mas também se tornou um marco para o cinema mundial ao trazer a cultura brasileira para os holofotes internacionais. A obra explora a dualidade entre a alegria do Carnaval e a tragédia da história de amor entre Orfeu e Eurídice, refletindo a complexidade das emoções humanas. A narrativa é permeada por elementos mitológicos e folclóricos, que se entrelaçam com a realidade social do Brasil da época, criando um rico tapeçário de significados. A atuação dos protagonistas, Breno Mello como Orfeu e Marpessa Dawn como Eurídice, é outro aspecto que merece destaque. A química entre os dois personagens traz uma profundidade emocional à história, permitindo que o público se conecte com suas lutas e desejos. Mello encarna um Orfeu apaixonado e atormentado, enquanto Dawn traz uma fragilidade e força à sua Eurídice, simbolizando o amor que transcende as barreiras da vida e da morte. Por outro lado, é importante ressaltar que “Orfeu Negro” também pode ser visto como um reflexo das tensões sociais da época em que foi feito. O filme foi lançado em um período de grandes mudanças no Brasil, marcado por questões de classe, raça e identidade cultural. A forma como Camus retrata essas questões, embora poética, pode ser interpretada como uma forma de escapismo que não aborda as realidades duras enfrentadas pela população negra nas favelas cariocas. Além disso, apesar de sua beleza estética, o filme também suscita críticas em relação à sua representação da cultura afro-brasileira. O filme, embora tenha sido aclamado internacionalmente e ganhado o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é frequentemente criticado por sua abordagem romantizada e estereotipada da vida nas favelas. A narrativa, centrada em personagens que enfrentam desafios sociais, pode ser vista como uma simplificação das complexas realidades enfrentadas pelas comunidades afro-brasileiras. A figura de Orfeu, um herói trágico, é muitas vezes interpretada como uma representação do “homem negro” que, apesar de suas lutas, é elevado a um status quase mítico, o que pode obscurecer as questões sociais reais que permeiam sua existência. Além disso, a escolha de um diretor francês para contar uma história profundamente enraizada na cultura brasileira levanta questões sobre apropriação cultural. A visão de Camus, embora rica em estética, pode não capturar completamente as nuances e as lutas da população que ele retrata. Isso gera um debate sobre quem tem o direito de contar certas histórias e como essas narrativas são moldadas por perspectivas externas. Orfeu Negro é uma obra-prima do cinema que combina beleza visual e musical com uma narrativa trágica. No entanto, é crucial abordar suas limitações e as críticas que surgem em relação à representação cultural. O filme serve como um ponto de partida para discussões mais amplas sobre identidade, apropriação e a complexidade das experiências afro-brasileiras. Ao celebrarmos sua contribuição ao cinema, também devemos reconhecer a necessidade de uma representação mais autêntica e multifacetada das vozes que ele busca retratar. Finalmente, Orfeu Negro permanece uma obra relevante que provoca reflexão sobre a representação no cinema e a responsabilidade dos cineastas em contar histórias de maneira sensível e autêntica. Ao revisitar este clássico, somos lembrados da importância de ouvir as vozes daqueles que realmente vivem as experiências retratadas nas telas. Assim, o filme não apenas celebra a cultura brasileira, mas também nos convida a pensar criticamente sobre as narrativas que escolhemos contar e compartilhar. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

O Palhaço

o palhaço

Críticas O Palhaço Por Danielle Delaneli “O Palhaço”, dirigido por Selton Mello e lançado em 2011, é uma obra que transcende a superficialidade da comédia que seu título pode sugerir. A narrativa gira em torno de Benjamim, um palhaço que se vê em um profundo dilema existencial ao perceber que sua vida no circo não traz a felicidade enseada. Mello, com sua sensibilidade e poesia, nos convida a refletir sobre a busca pela identidade e as dificuldades de se encontrar em um mundo que muitas vezes exige que usemos máscaras. A atuação de Selton Mello como Benjamim é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme. Ele consegue transmitir uma gama impressionante de emoções, alternando entre a alegria contagiante do palhaço e a profunda tristeza e solidão que o personagem enfrenta fora dos holofotes. A química entre ele e os outros membros do circo, especialmente com o personagem interpretado por Paulo José, enriquece ainda mais a trama. Essa interação traz à tona questões sobre amizade, amor e o inexorável passar do tempo, revelando nuances das relações humanas que são frequentemente ignoradas. Os diálogos carregados de significado e as trocas emocionais entre os personagens nos fazem refletir sobre as complexidades da vida em comunidade.   A cinematografia também merece destaque. As paisagens do interior do Brasil são capturadas com uma beleza sutil, criando um contraste marcante entre o vibrante mundo do circo e a melancolia da vida cotidiana. Cada cena é cuidadosamente composta para refletir essa dualidade: as cores vibrantes do circo se opõem à paleta mais sombria da realidade de Benjamim. A trilha sonora, repleta de músicas nostálgicas e emocionais, complementa perfeitamente a narrativa, imergindo o espectador na jornada emocional do protagonista. As melodias evocativas não apenas intensificam os momentos de alegria, mas também acentuam a tristeza nas passagens mais introspectivas.  Uma das grandes belezas de “O Palhaço” é a forma como ele aborda a solidão e a busca por aceitação. O protagonista, o palhaço, é uma representação perfeita da ideia de que, muitas vezes, as pessoas precisam usar uma “máscara” para esconder suas verdadeiras emoções. Isso ressoa com muitos de nós, que às vezes sentimos a necessidade de parecer felizes e fortes para o mundo, mesmo quando estamos passando por momentos difíceis. A relação dele com sua família e os outros artistas do circo também traz à tona a importância das conexões humanas. O filme mostra como o apoio emocional e a compreensão mútua podem ser fundamentais para enfrentar as dificuldades da vida. As cenas em que ele tenta se reconectar com sua essência, buscando um propósito além da comédia, são especialmente tocantes. Outro aspecto interessante é o uso do humor como uma forma de lidar com a dor. O filme nos lembra que rir, apesar dos desafios, pode ser uma maneira de aliviar o peso emocional que carregamos. Essa dualidade entre a alegria e a tristeza é algo que muitos de nós experimentamos no dia a dia. O riso torna-se um mecanismo de defesa contra as adversidades da vida; no entanto, também revela vulnerabilidades que todos nós compartilhamos.  Além disso, “O Palhaço” aborda temas universais como a busca pela felicidade e o medo da solidão. Essa dualidade entre riso e tristeza reflete a condição humana de maneira profunda, permitindo ao espectador identificar-se com as lutas internas de Benjamim. O filme nos lembra que muitas vezes as pessoas mais alegres são aquelas que escondem suas próprias dores — uma mensagem poderosa e extremamente relevante nos dias de hoje. Em suma, “O Palhaço” é uma verdadeira obra-prima do cinema nacional que combina humor e melancolia de maneira excepcional. Selton Mello entrega uma performance inesquecível em um filme que ressoa com todos nós, independentemente das nossas experiências pessoais. É uma reflexão sobre os papéis que desempenhamos na vida e as verdades que frequentemente ocultamos sob nossas próprias máscaras. Se você ainda não assistiu, vale muito a pena conferir essa joia cinematográfica! O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Um Filme de Cinema (2017)

filme de criança

Críticas Um filme de cinema (2017) Crianças sendo crianças… Sem spoiler Por Ricardo Rodrigues Tive a oportunidade de assistir esse filme na estreia em 2023 e não estava com altas expectativas, mas fui surpreendido… Esse é um daqueles filmes que é indicado para toda a família assistir principalmente em uma era onde as crianças ficam no celular e em vícios de dopamina, esse filme nos mostra como uma opção saudável para entreter os pequenos.  Com uma premissa simples, conhecemos Bebel que é filha de um diretor de cinema com uma carreira parada. A professora de Bebel decide passar uma tarefa para casa para os alunos realizarem uma obra de arte com tema livre (pode ser uma pintura, escultura, fotografia, música, teatro etc). Curiosa e aventureira, Bebel decide reunir seu grupo de amigos para realizar um filme, mas ao pedir ajuda do pai, ele reluta no início. A insistência da garota acaba convencendo o pai, que entrega para ela uma câmera para ela registrar o dia a dia, mas as crianças vão além e deixam a imaginação solta. O resultado disso? Um filme de criança para o cinema. O roteiro foi muito elaborado pois contém humor leve, drama, reviravoltas tudo na medida certa (além de muita informação, ao contar a história do cinema de maneira lúdica). A direção foi magistral também, apesar do final ser “previsível” isso não tira a magia da obra – que adulto nunca se sentiu perdido no trabalho? Mas as vezes, coisas surpreendentes  acontecem que nos ajudam de maneira inesperada (o final do filme mostra isso). A metalinguagem abordada é muito inteligente pois trata-se um filme que fala sobre… Filmes! Esse é um filme inspirador, que motiva as pessoas a olharem para as coisas de uma maneira diferente, que provoca curiosidade, estimula a imaginação e principalmente o “faca você mesmo”, para quem tem contato com alguma criança, eu diria que é um filme essencial. Sobre a fotografia, é belíssima: tem um toque de animação, cenas do cinema em preto e branco, mesclados com super 8 e câmeras VCR… É um filme muito bonito, essas características garantem a imersão do espectador na obra, quando Bebel segura a câmera, vemos trepidações, ângulos tortos que realmente parecem uma criança segurando câmera.  Apesar dos personagens serem bem caricatos: o pai por exemplo é um “sonho”, ele é amável, respeitado, gentil, engraçado (igual um conto de fadas). O personagem que trabalha na escola (zelador) é meio bobo e brincalhão com as crianças, estes personagens por exemplo são carismáticos suficiente para que o espectador fique admirado e torça por eles (aliás, esse filme não existe nenhum vilão, o que é bem interessante). Apesar do filme ter lançado em 2017, sua estreia só ocorreu em 2023 (ou seja, as crianças do elenco já não eram “tao crianças assim” com o lançamento) e isso aconteceu devido ao coronavirus e o cinema independente, que precisava de apoio e incentivo (novamente igual a metalinguagem aplicada no filme, o pai de bebel está trabalhando em um projeto que está “parado” por causa desses fatores). Um filme de cinema vale muito a pena ser assistido, para toda a família. Principalmente se você quer que as crianças não fiquem tão fissuradas nas telas e desejam estimular a criatividade. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Cinema Paradiso

Cinema Paradiso

Críticas Cinema Paradiso: Uma Ode à Magia do Cinema e à Nostalgia da Infância Por Danielle Delaneli Cinema Paradiso, dirigido por Giuseppe Tornatore, é um dos filmes mais emblemáticos da história do cinema. Lançado em 1988, o filme não apenas captura a essência da sétima arte, mas também evoca uma profunda nostalgia pela infância e pela simplicidade da vida em uma pequena cidade italiana. Através de uma narrativa rica e emocional, o filme se torna mais do que uma simples história; é uma celebração do amor pelo cinema e das memórias que ele cria. A trama gira em torno de Salvatore Di Vita, um renomado diretor de cinema que retorna à sua cidade natal após a morte de Alfredo, o projetista do cinema local. A história se desenrola em duas linhas temporais: a infância de Salvatore nos anos 1940 e sua vida adulta como cineasta. Essa estrutura narrativa permite que o espectador experimente a evolução do personagem e a transformação da arte cinematográfica ao longo do tempo. Os temas centrais do filme incluem a nostalgia, a perda e o poder do cinema como forma de escapismo. A relação entre Salvatore e Alfredo é profundamente comovente; Alfredo atua como mentor e figura paterna para Salvatore, ensinando-o sobre os filmes e a magia que eles trazem às vidas das pessoas. Através dessa relação, Tornatore explora como as experiências da infância moldam nossas identidades e paixões. A cinematografia de Cinema Paradiso é uma das suas grandes conquistas. A fotografia captura a beleza da Sicília, desde as paisagens ensolaradas até os interiores acolhedores do cinema. As cenas do cinema em si são particularmente memoráveis, repletas de luz e sombras que refletem as emoções dos personagens. A música de Ennio Morricone complementa perfeitamente a narrativa, evocando sentimentos de saudade e alegria. Os personagens são ricamente desenvolvidos. Salvatore, interpretado por Salvatore Cascio na infância e por Marco Leonardi na adolescência, é um protagonista com o qual é fácil se identificar. Sua curiosidade e amor pelo cinema são palpáveis, e sua evolução ao longo do filme é comovente. Alfredo, interpretado magistralmente por Philippe Noiret, é uma figura paternal que representa a sabedoria e a paixão pelo cinema. A dinâmica entre os dois personagens é o que realmente dá vida à história. Um dos aspectos mais fascinantes do filme é sua reflexão sobre o próprio ato de assistir filmes. O cinema é apresentado como um espaço sagrado onde as pessoas se reúnem para sonhar e escapar da realidade. As cenas que mostram o público reagindo aos filmes projetados no “Paradiso” são especialmente poderosas, ilustrando como o cinema pode unir as pessoas em torno de experiências compartilhadas. Além disso, aborda a transição tecnológica no cinema, simbolizada pela mudança dos projetores de filme para os sistemas digitais. Essa mudança representa não apenas uma evolução técnica, mas também uma perda da autenticidade e da magia que caracterizavam os cinemas antigos. Embora tenha sido amplamente aclamado, algumas críticas apontam que o filme pode ser excessivamente sentimental em certos momentos. No entanto, essa sentimentalidade é, na verdade, uma das suas maiores forças, pois permite que o público se conecte emocionalmente com a história. O legado de Cinema Paradiso é inegável. O filme não apenas conquistou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas também se tornou um clássico cult, influenciando gerações de cineastas e amantes do cinema. Ele nos lembra da relevância da arte e da narrativa, e de como essas experiências moldam nossas vidas. É uma história que ressoa com qualquer amante da sétima arte. Ela nos lembra da importância das memórias e das relações que formamos ao longo da vida. Através de sua narrativa comovente, estética deslumbrante e trilha sonora inesquecível, Tornatore nos convida a refletir sobre nosso próprio relacionamento com o cinema e como ele molda nossas histórias pessoais. Cinema Paradiso é mais do que um filme; é uma reflexão sobre a vida, a amizade e a paixão pelo cinema. Através de sua narrativa envolvente, personagens memoráveis e uma estética deslumbrante, Tornatore nos convida a revisitar nossas próprias memórias e a celebrar a magia do cinema. É uma obra-prima que continua a tocar o coração de todos que a assistem, provando que a arte tem o poder de transformar nossas experiências e nos conectar de maneira profunda e emocional. Através das lembranças de Salvatore e sua relação com Alfredo, somos lembrados de que o cinema não é apenas uma forma de entretenimento, mas uma janela para a alma humana, capaz de capturar as nuances da vida e da passagem do tempo. Cinema Paradiso nos ensina que, mesmo diante das mudanças inevitáveis, as memórias que criamos e as emoções que sentimos permanecem eternas. Assim, a magia do cinema se perpetua, unindo gerações e inspirando sonhos. É um convite para nunca deixarmos de sonhar e para sempre celebrarmos as histórias que nos moldam. Não é apenas um tributo ao passado; é uma declaração atemporal sobre o poder do cinema para tocar nossas vidas de maneiras imensuráveis. O filme permanece relevante até hoje, continuando a inspirar novas gerações a sonhar com as possibilidades infinitas que a arte pode oferecer. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.