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Orfeu do Carnaval

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Revista Digital Os Conflitos e Polêmicas por Trás de “Orfeu do Carnaval” Lançado em 1959, Orfeu do Carnaval é um dos filmes mais emblemáticos da história do cinema brasileiro, uma adaptação cinematográfica da peça homônima de Vinícius de Moraes. Dirigido por Marcel Camus, o filme ganhou reconhecimento internacional, inclusive conquistando a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No entanto, por trás do sucesso mundial, o filme também foi cercado por uma série de controvérsias e questões polêmicas que, até hoje, geram debates sobre seu legado. A principal controvérsia se deu em torno da representação da cultura brasileira e a forma como o filme abordou o samba e o Carnaval, elementos centrais da história e da identidade nacional. Orfeu do Carnaval foi filmado em uma favela do Rio de Janeiro e apresenta a história do mitológico Orfeu, reinterpretada no contexto do Carnaval carioca. A trama, cheia de música e tragédia, é uma versão moderna do mito grego, onde Orfeu, interpretado por Breno Mello, se apaixona por Eurídice (Marpessa Dawn), e a história se desenrola em meio a um cenário de samba, amor e fatalidade. Contudo, muitos críticos e intelectuais da época apontaram uma visão estereotipada e exotificada do Brasil, acusando o filme de romantizar a pobreza e a violência das favelas cariocas. Alguns consideraram que a obra perpetuava uma ideia de Brasil “tropical”, reduzindo as complexidades sociais e culturais do país a uma simples exibição de cores e músicas. Para esses críticos, o filme não representava a realidade do povo brasileiro, mas uma visão idealizada e distante. Outro ponto controverso foi a escolha do elenco. A atriz americana Marpessa Dawn, que interpretou Eurídice, foi escolhida para o papel, o que gerou uma série de críticas quanto à falta de valorização do talento local. Além disso, a presença de uma atriz estrangeira em um filme que se propunha a ser uma representação genuína da cultura brasileira foi vista por muitos como uma falta de sensibilidade cultural. As críticas à forma de retratar o Brasil também foram reforçadas por um certo distanciamento entre a produção do filme e a realidade social do país. Orfeu do Carnaval foi uma produção financiada em grande parte por investidores estrangeiros, o que, para muitos, trouxe à tona questionamentos sobre a verdadeira intenção do filme: seria uma homenagem à cultura brasileira ou apenas mais uma tentativa de vender a imagem do Brasil para o exterior? No entanto, apesar dessas controvérsias, Orfeu do Carnaval é um filme que conseguiu atravessar as barreiras do tempo e, hoje, é reconhecido como um marco do cinema mundial. Sua fusão entre música, mitologia e a vibrante cultura carioca resultou em um clássico, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e ajudou a consolidar o samba como um dos maiores símbolos culturais do país. Hoje, passados mais de seis décadas desde seu lançamento, Orfeu do Carnaval continua sendo um filme discutido e reinterpretado, tanto por suas qualidades artísticas quanto pelas questões sociais e culturais que levantou. Ao mesmo tempo em que é celebrado como uma obra-prima, o filme ainda provoca debates sobre a representação da cultura brasileira no cinema e sobre os limites entre a arte e a idealização de uma realidade complexa e multifacetada.

O Papel que Consolida Tom Hanks como um dos Maiores Atores de Sua Geração

Tom Hanks como um dos Maiores Atores de Sua Geração-revista digital-projeto a sala

Revista Digital O Papel que Consolida Tom Hanks como um dos Maiores Atores de Sua Geração Em 2002, Tom Hanks estreou em um papel que representaria um divisor de águas em sua carreira. O filme Estrada para Perdição (Road to Perdition), dirigido por Sam Mendes, revelou uma nova faceta do ator, conhecida principalmente por seus papéis em filmes como Forrest Gump e O Resgate do Soldado Ryan. Neste thriller sombrio, baseado na graphic novel de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner, Hanks interpreta Michael Sullivan, um assassino de máfia da década de 1930, um homem marcado pela violência, mas com um profundo senso de lealdade e amor pela família. Este papel foi um desafio significativo para Hanks, que até então era amplamente reconhecido por suas interpretações de personagens mais otimistas ou heroicos. Ao se afastar de sua imagem de bom mocinho, o ator mostrou sua versatilidade, entregando uma performance contida e melancólica, mas igualmente poderosa. A transição de Hanks para papéis mais sombrios e complexos marcou um momento crucial em sua carreira, consolidando-o como um dos maiores atores de sua geração. A colaboração com Mendes, que também trouxe a excelência de direção ao filme, foi fundamental para o sucesso de Estrada para Perdição. A trama de redenção e a luta interna do personagem de Hanks, imerso em dilemas morais e pessoais, permitiram ao ator explorar novas dimensões emocionais, provando seu talento em uma narrativa carregada de tensão e tragédia. Além disso, o filme apresentou uma impressionante fotografia de Conrad Hall (que lhe rendeu um Oscar póstumo), e uma atuação sólida de Paul Newman, que, ao lado de Hanks, elevou ainda mais o nível da produção. O sucesso do filme no circuito de premiações também solidificou a credibilidade do ator em papéis mais dramáticos, afastando-o da imagem de “astro de comédia” e expandindo suas possibilidades no cinema. Em retrospectiva, Estrada para Perdição foi mais que um projeto de sucesso; foi um marco na carreira de Tom Hanks, um ponto de inflexão que permitiu que ele se reinventasse como ator, explorando uma gama mais ampla de personagens e ampliando seu legado cinematográfico. O filme não apenas reforçou sua habilidade de entregar performances impactantes em dramas profundos, mas também o estabeleceu como um dos artistas mais respeitados e versáteis de Hollywood. Ao olhar para trás, é inegável que Estrada para Perdição desempenhou um papel essencial na evolução de Tom Hanks, reafirmando sua posição de destaque e demonstrando que sua habilidade para se reinventar é uma das características mais notáveis de sua carreira.

Reality+ (2014)

Críticas Reality+ (2014) Coralie Fargeat plantou a sementinha de “the substance” e você nem sabia … Por Ricardo Rodrigues @imaginealgolegalaqui Leia Também Aurora (2025), de João Vieira Torres Críticas Aurora (2025), de João Vieira Torres Um filme-ensaio que… Leia mais 21/06/2025 Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Críticas Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Tipo o south park,… Leia mais 20/06/2025 Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Críticas Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Um… Leia mais 04/06/2025 O céu de Suely (2006) Críticas O céu de Suely (2006) Parece um conto de… Leia mais 27/05/2025 (500) dias com ela (2009) Críticas (500) dias com ela (2009) Um filme problemático e… Leia mais 21/05/2025 Carregar mais SEM SPOILER! Reality+ é um curta metragem da diretora de “the substance” (Coralie Fargeat). Apesar de não ter cenas explícitas graficamente, o curta nos causa questionamento sobre aceitação, padrão de beleza e também sobre relacionamentos com as pessoas. No curta, somos apresentados a um futuro distante, onde as pessoas adquirem um chip e podem ter a aparência que quiserem. É nessa jornada que conhecemos Vicent, um homem comum de aproximadamente 40 anos que compra essa experiência.  Vicent altera rosto, corpo e voz ao ponto de ficar dentro de um padrão de beleza padrão… Mas acaba voltando a ser comum após 12h, que é o período máximo que o chip suporta. Vicent é um homem solitário e de certa forma, triste. Com a nova versão “Vicent+” fica mais confiante, seguro, sociável a ponto de atrair olhares por onde passa. Durante a noite (após o efeito das 12h passarem) Vicent vai até o terraço do prédio que mora, e encontra sua vizinha que fica a admirando de longe. Acontece que Vicent – assim como nós, está inserido em um sociedade que exige um padrão de beleza inalcançável a maioria de nós, essa pressão social nos causa incômodo, a ponto de realizar alterações no corpo para ficar bem consigo mesmo. Claro que, no curta metragem uma hora “dá ruim” em Vicent, ao mesmo tempo, nos leva a refletir: e se simplesmente aceitarmos quem somos? Vicent chamou atenção da vizinha uma vez com a sua aparência real e foi correspondido, logo, poderia deixar de ser totalmente solitário. Esse curta metragem de 22 minutos na verdade nos causa reflexão, e sim, lembra bastante a série “black mirror”. Apesar de ser realizado antes de 2020, notamos “traços da época”, muito CGI aplicado e provavelmente feito em Chroma Key. Possui ângulos de câmera médios, e primeiro plano também (o que garante uma imersão no espectador). Quanto ao roteiro, a premissa simples é cativante (junto com o dinamismo rápido, realmente não vemos o tempo passar ao assistir o longa) atuações boas e convincentes, nos prendem a atenção do início ao fim. O humor está presente, mas de maneira sutil (apenas em algumas cenas específicas).  Não sei afirmar ao certo se esse filme foi o início do “the substance” mas tem vários aspectos em comum e com certeza por se tratar do trabalho da Coralie Fargeat, creio que “the substance” é o “Reality+ versão estendida e com imagens explícitas”. Se eu pudesse avaliar o curta em uma nota de zero a cinco, daria 3. No IMBD o curta possui a nota 7,5 de 10. Se você quiser assistir, está disponível no prime video e na mubi. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Filmes de 2024 que podem ter escapado do seu radar

Críticas Filmes de 2024 que podem ter escapado do seu radar Por Larissa Blanco @filme.da.semana Um novo ano se inicia, com lançamentos no cinema de filmes que, bom, não necessariamente são de 2025. A distribuição de filmes no Brasil é um tópico à parte e não é exatamente o que eu quero falar hoje aqui, mas não é incomum algumas obras demoram um pouco para chegarem aqui.  No texto de hoje quero dar diquinhas para vocês, de três filmes que foram lançados nos cinemas brasileiros no ano de 2024, ainda que em circuitos limitados, e por isso podem ter passado despercebidos. Mas se vocês forem procurar mais sobre eles vão ver que são filmes de 2023, por isso dei aquela introdução ali em cima. Eu queria uma desculpa para falar de três filmes aleatórios e achei que esse tema faria sentido. Mas vamos lá. O sabor da vida (La passion de Dodin Bouffant, dirigido por Tran Anh Hùng) Disponível no Prime Video Esse filme ficou meio famoso em algumas bolhas cinéfilas por ter sido a escolha da França para o Oscar 2023 ao invés de “Anatomia de uma queda”. E eu acho que isso não ajuda na popularidade dele. Mas eu adorei esse filme, ele é ótimo para quem, como eu, adora ver vídeo de gente cozinhando. Metade dele é isso, um grande ASMR de uma cozinha vintage, um pornô de comidas sendo preparadas, algo que algumas pessoas podem achar meio chato, mas que pra mim é o diferencial do filme. A outra metade envolve um romance entre os dois protagonistas numa fase tardia da vida. Ele é um chefe de cozinha renomado, convidado a cozinhar para o rei. Ela é seu braço direito, quem põe a mão na massa para tornar os pratos realidade. Eu achava que essa história ia por caminhos diferentes, mas gostei bem mais do que ele de fato é. E não assistam de barriga vazia. Meu amigo robô (Robot dreams, dirigido por  Pablo Berger) Disponível na Mubi “Robô selvagem” não foi o único filme emocionante com protagonista metálico que me fez chorar em 2024, e acho esse fato curiosíssimo. “Meu amigo robô”, uma animação espanhola que se passa na Nova York dos anos 80, com um traço todo vintage, e sem nenhuma linha de diálogo é daqueles filmes que fazem você perceber que a arte transcende a barreira de qualquer idioma. A história, povoada de animais antropomorfizados, acompanha um cachorro solitário que compra um robô companheiro. O filme passa longe de comentários sobre assistentes inteligentes ou da nossa dependência da tecnologia, esse não é o ponto aqui. O que importa é a amizade que surge entre o cão e o robô e o que acontece quando são bruscamente separados. Uma análise sincera e profunda de como nossos relacionamentos nos moldam e de como a vida nos transforma.  A natureza do amor (Simple comme Sylvain, dirigido por Monia Chokri) Disponível na Reserva Imovision Esse filme toca num ponto que eu, particularmente, não gosto muito, que é a infidelidade. Mas mais do que colocar o ponto de vista na protagonista pra gente sentir o que ela sente e não se sentir culpado por torcer pelo adultério, eu gosto de como o filme discute o que é amor, e porque esse sentimento é importante pra gente. E o romance é bem bom também, uma coisa dos opostos se atraem, gostei bastante. Espero que vocês gostem de pelo menos um desses filmes 🙂  Leia Também Aurora (2025), de João Vieira Torres Críticas Aurora (2025), de João Vieira Torres Um filme-ensaio que… Leia mais 21/06/2025 Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Críticas Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Tipo o south park,… Leia mais 20/06/2025 Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Críticas Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Um… Leia mais 04/06/2025 O céu de Suely (2006) Críticas O céu de Suely (2006) Parece um conto de… Leia mais 27/05/2025 (500) dias com ela (2009) Críticas (500) dias com ela (2009) Um filme problemático e… Leia mais 21/05/2025 Carregar mais O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Babygirl (2024)

Críticas Babygirl (2024) Um estudo de desejo e poder, entre sensualidade e complexidade Por Valentina Almeida @valentilhas Babygirl, dirigido por Halina Reijn, se propõe a explorar as dinâmicas de poder e desejo de uma maneira bem provocativa, centrada em uma perspectiva feminina. A história segue Romy (Nicole Kidman), uma mulher de meia-idade que embarca em um relacionamento dominador/submisso com Samuel (Harris Dickinson), um colega mais jovem. O filme, embora tenha suas falhas, oferece algumas reflexões interessantes sobre sexualidade e poder, principalmente quando considerado o cenário cultural atual. O filme se destaca em momentos como as cenas entre Kidman e Dickinson, que exploram a dinâmica de poder e desejo com confiança, comunicação e consentimento, enquanto tentam entender a dinâmica complicada entre seus personagens. A sensualidade e a complexidade são notáveis, especialmente na cena de dança ao som de “Father Figure” de George Michael. No entanto, o roteiro falha em manter um ritmo constante e, em alguns pontos, se torna previsível e genérico, com personagens como o marido de Romy, Jacob, sendo pouco desenvolvidos (que desperdício de Antonio Banderas). Mesmo assim, o filme oferece uma reflexão interessante sobre a sexualidade feminina e a maneira como as mulheres são muitas vezes vistas pelos olhos dos homens. Nicole Kidman dá uma performance profunda como Romy, explorando a vulnerabilidade e a complexidade de sua busca por controle e entrega. Sua atuação transmite a tensão entre o desejo de dominação e a vontade de se render, tornando a personagem muito mais do que uma simples busca por prazer. Mas quem me surpreendeu mesmo foi Harris Dickinson, que me impressiona desde Triângulo da Tristeza (2022). Aqui ele se destaca como Samuel, trazendo uma performance de insegurança que enriquece ainda mais a dinâmica entre os dois. Ele comanda a tela de forma impressionante, com um brilho nos olhos e um sorriso que reconhece o quão absurdo é o personagem que ele precisa ser para atender aos desejos de Romy. Embora Samuel não tenha um histórico detalhado, Dickinson consegue entregar muito com o que o filme oferece. A trilha sonora de Cristobal Tapia de Veer, que também trabalhou em The White Lotus, é um ponto positivo, ajudando a criar uma atmosfera sensual e tensa. A cinematografia é boa, mas o ritmo mais lento em alguns momentos pode afastar alguns espectadores. Sobre o filme em si? Ele cresceu em mim à medida que o tempo passava. Não traz novidades sobre o desejo feminino, mas quando o risco e o tabu são introduzidos, a trama se torna mais interessante, explorando as raízes desse desejo sem recorrer aos clichês de trauma infantil. Embora seja um filme sexy em vários momentos, ele se destaca mais como um estudo de personagem, apesar de algumas repetições no enredo. No fim das contas, Babygirl não é o filme mais revolucionário, mas é uma tentativa interessante de olhar para a sexualidade feminina de uma forma mais complexa e menos superficial. Mesmo com alguns tropeços no caminho, o filme se destaca pelas ótimas performances de Kidman e Dickinson e por conseguir trazer à tona temas que, apesar de não serem totalmente novos, são discutidos de uma maneira mais madura e reflexiva. É um filme que vale a pena assistir e debater, especialmente no momento em que vivemos, em que a sexualidade e o empoderamento feminino estão ganhando cada vez mais espaço no cinema. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

This people has house in it (2016)

Críticas This People has House in it (2016) Um curta metragem que tem muito a mostrar, mais do que os 11:55 minutos Por Ricardo Rodrigues @imaginealgolegalaqui SEM SPOILER! Assisti esse curta metragem durante a noite, e não fiquei tão aflito (até descobrir a totalidade desse projeto, aí me deu um frio na espinha). Cabe ressaltar que o curta metragem foi exibido em 2016, naquela época não havia tantas “fakes news” e os vídeos virais ainda não existiam na mesma quantidade que temos hoje.  Foi exibido durante a noite pela televisão, no canal Adult Swim (milhares de pessoas acreditavam nas imagens). O curta não possui legendas automáticas em português, mas se você tiver um conhecimento básico de inglês, não terá dificuldades em entender o contexto. Acompanhamos o dia a dia uma família cujo número é “437” através das câmeras de segurança 24h instaladas na casa. O curta metragem bebeu da fonte do “found footage” e as imagens em baixa resolução (convenientes com as câmeras de segurança, e também o contexto da época que não tinha full Hd 4k) garantem realmente um ar verossímil a obra, a atuação também, é muito convincente. Após uma discussão de relacionamento, o casal nota que a filha adolescente está deitada no chão sem se mexer (no início acham que ela quer chamar atenção) mas depois realmente observam que ela não se mexe de tal maneira que o corpo fica extremamente pesado igual um metal.  Coisas estranhas acontecem (estou falando de maneira bem genérica, para não dar spoiler) principalmente porque os familiares não prestam tanta atenção assim nos detalhes, e aqui tem muitos ester eggs: na televisão, na geladeira, na janela etc… sempre existe algo para ser observado, tem que estar bem atento as entrelinhas.  O final do curta metragem não é tão impactante, mas foi decente. Deixa um gosto de “puxa acaba assim?” Mas quando você percebe que existem códigos, áudios, telefonemas, fitas com gravações escondidas, isso torna a experiência mais completa. Na verdade é um grande projeto de transmídia. E criar isso antes dos anos de 2020 bem executado, não é simples… No site das câmeras se você digitar uns códigos, e senhas você desbloqueia mais de duas horas de gravações (incluído um final mais tenso do que o apresentado no curta metragem). Ou seja, o curta metragem de quase doze minutos trata-se apenas da ponta do iceberg. E tem que ter tempo, e paciência… Mas se você não quiser ser “hacker” e ter que desvendar o mistério da família 437, existem vídeos no YouTube completos com todas as fitas, áudios, ligações (conteúdo completo que os fãs disponibilizaram). Recomendo, mas por se tratar de um found footage com imagens em baixa resolução e algumas coisas “entediantes”, não vai agradar a todos os públicos. Mas vale a pena se você estiver disposto a experiência imersiva que o diretor propôs. Leia Também Orfeu Negro O Palhaço Um Filme de Cinema (2017) Cinema Paradiso Cinderela Baiana (1998) O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Metas cinéfilas para 2025!

Metas cinéfilas para 2025! Projeto A Sala

Críticas Metas cinéfilas para 2025! Por Larissa Blanco @filme.da.semana Feliz 2025 pessoal! Já montaram as metas de vocês para esse ano que se inicia? Aliás, o quão gentil vocês estão sendo com vocês mesmos com essas metas, hein? Hoje em dia eu tenho feito poucas metas, e todas elas acabam englobando meus hobbies, porque eu sinto que é a única coisa que tenho controle na minha vida. Alguns anos atrás eu inventei umas metas cinéfilas mirabolantes, como assistir filmes de 52 países ao longo de um ano, e isso quase acabou com minha sanidade mental e amor pela sétima arte. Então hoje em dia tento focar em metas possíveis. Eu me conheço bem, então sei o que consigo e não consigo fazer. É claro que muitas vezes a vida acontece e nos atropela, mas o momento de criar metas também é um momento de autoconhecimento. Mas chega de papinho motivacional, hoje venho aqui com singelas sugestões de metas cinéfilas para se desafiarem nesse novo ano que se inicia!  Assistir mais filmes dirigidos por mulheres Em 2015 começou o movimento #52filmsbywomen, desafiando a assistir uma produção com direção feminina por semana, ao longo de um ano (sim, um ano tem 52 semanas, por isso muitos desafios possuem esse número). Essa é uma das poucas tradições que tenho comigo mesma, e há três anos consigo cumprí-la. Cinquenta e dois filmes podem ser muito para um início, mas que tal se desafiar a ver algo como 30 filmes? Ver mais filmes de países diferentes Não dá pra discutir o volume de produções norte-americanas que somos expostos constantemente. Tanto que nos acostumamos com formatos e clichês, com coisas que são até mesmo fora da nossa realidade, devido a essa exposição. E não vou falar aqui para parar de assistir filmes de Hollywood, mas sim para adicionar a suas listas de “quero assistir” mais filmes que sejam de outros países, falados em outras línguas, com contextos diferentes, etc. Inicialmente não é uma tarefa fácil, mas aos poucos a gente se acostuma com outros ritmos e tudo isso faz a gente criar um novo repertório cultural. Faça uma lista de países que você acha a cultura legal, que você conhece algum ator ou diretor, que você sabe que tem obras disponíveis nos streamings que você assina, e daí vai expandindo. É mais fácil começar com o cinema europeu, que costuma ter uma melhor distribuição, e essa mudança já pode ser um choque para alguns. Mas vale a pena desbravar obras de todos os continentes. Festivais de cinema podem ajudar muito nesse desafio. Consumir mais cinema nacional Sim, “Ainda estou aqui” é um filmão e merece ser premiado e celebrado, mas quantos outros filmes brasileiros você assistiu no ano passado? Outra meta possível é assistir mais filmes nacionais, e aqui tem um facilitador que são os streamings gratuitos. Itaú Cultural Play, SPcine, Sesc Digital são apenas alguns dos lugares onde você consegue ver filmes brasileiros, com catálogos que combinam clássicos e obras mais recentes, com muitas produções independentes.  Assistir filmes mais antigos Com o fluxo de lançamentos nos streamings e seus algoritmos, somos expostos a filmes com no máximo 2 ou 3 anos. Não sei se vocês já passaram pelo grande evento que é alguém chamando de “antigo” um filme com pouco mais de dez anos, mas eu já e digo pra vocês que é esquisito. Ver só lançamentos pode confundir nossa percepção de tempo. Existem tendências de estilo, gênero, ritmo em todas as décadas, e é interessante observar isso. Só recentemente que, assistindo filmes do começo dos anos 2000, percebi características de edição muito marcantes da época, que passam despercebido quando aquilo é tudo que consumimos. Tente assistir um filme de cada década do século 20, com certeza você vai descobrir um novo favorito onde você menos espera 🙂 É claro que nenhum desses tópicos é uma ordem ou imposição. É legal a gente se conhecer o suficiente para saber o que nos agrada e consumir obras assim, mas sair da zona de conforto cinéfila pode trazer boas surpresas. Porém, não é por isso que absolutamente todos os filmes vão ser bons. É bom ter isso em mente e não desistir na primeira frustração. Escolha números próximos da sua realidade, porque bater meta é gostoso demais. E que 2025 seja um ano repleto de bons filmes para todos nós! Leia Também Orfeu Negro Orfeu Negro: Entre a Beleza do Carnaval e as Sombras… Leia mais 03/03/2025 O Palhaço O Palhaço Por Danielle Delaneli “O Palhaço”, dirigido por Selton… Leia mais 01/03/2025 Um Filme de Cinema (2017) Um filme de cinema (2017) Crianças sendo crianças… Sem spoiler… Leia mais 25/02/2025 Cinema Paradiso Cinema Paradiso: Uma Ode à Magia do Cinema e à… Leia mais 19/02/2025 Cinderela Baiana (1998) Cinderela Baiana (1998) Um clássico do cinema brasileiro? Por Ricardo… Leia mais 18/02/2025 Carregar mais O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.

Trailer Parker Boys (2001-2018)

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Críticas Trailer Parker Boys (2001-2018) Não parece, mas é engraçado! Por Ricardo Rodrigues @imaginealgolegalaqui Sem spoiler! Eu não sabia da existência dessa série, até meu amigo Nick comentar sobre ela e me mostrar o episódio piloto. Eu estava passando por um momento difícil na minha vida, e queria assistir alguma coisa que não me fizesse pensar muito, e essa série acabou se tornando um alívio cômico que eu precisava. Trailer Parker Boys possui uma premissa simples: acompanhamos um grupo de amigos que saíram da cadeia e buscam novos meios para viver. Acontece que eles moram em uma cidade minúscula, em um trailer e sempre acabam fazendo coisas a margem da lei e completamente ilegais (como roubos, cultivar drogas etc).  Apesar dos desastres a série nos mostra um sentimento de união: os amigos sempre estão por perto, independente de como a situação está. A genialidade da série está em abordar toda essa situação como se fosse um documentário, isso garante uma proximidade com o espectador e empatia também pois apesar das pessoas errarem, compreendemos os motivos. Muitas pessoas não vão achar a série engraçada, pois a abordagem de humor aplicada aqui é a comédia do absurdo (situações trágicas e absurdas e constrangedoras que acabam em vergonha alheia se tornando cômico ao espectador). Um outra sacada da série é a duração dos episódios, que cada um possui um pouco mais de vinte minutos. Com um ritmo de roteiro acelerado com mil coisas acontecendo ao mesmo tempo, prende atenção do espectador fazendo-o acompanhar e maratonar naturalmente, sem perceber as temporadas passando. Cabe ressaltar também que as temporadas vão evoluindo ao longo do tempo, a primeira começou nos anos 2001 então é fácil ver objetos de época (como discman, roupas típicas entre outros). Já a última temporada (2018) aposta em imagens de melhor resolução (provavelmente câmeras 4k) e em um distanciamento dos personagens (claro que, mantendo a característica de mockumentary – mas não tão próximo como as primeiras temporadas). Quanto as atuações, todas elas são incríveis! Realistas demais, principalmente um destaque para o personagem Rick (interpretado por Robb Wells) e o personagem Julian (Jhon Paul Tremblay). Lembrando que não existe necessariamente protagonistas na série, todos os personagens são importantes, o que acontece aqui são os personagens que mais aparece em todos os episódios: Rick e Julian. A série possui nota 8,5 no IMDB e fez tanto sucesso que a Netflix também produziu uma série animada adulta. Claro que Trailer Parker Boys não vai agradar a maioria das pessoas pelo seu humor ácido e trágico, mas recomendo que vocês assistam ao menos o episódio piloto com pouco mais de vinte minutos, tá disponível na Netflix. Se você gosta de um humor similar a “the office”, ou “fleabag” talvez acabe gostando de Trailer Parker Boys também. Se eu pudesse avaliar a série de zero a cinco, daria nota 3,8. A série é boa mas em alguns momentos acaba extrapolando, mas mesmo assim continua uma boa série! Leia Também Orfeu Negro Orfeu Negro: Entre a Beleza do Carnaval e as Sombras… Leia mais 03/03/2025 O Palhaço O Palhaço Por Danielle Delaneli “O Palhaço”, dirigido por Selton… Leia mais 01/03/2025 Um Filme de Cinema (2017) Um filme de cinema (2017) Crianças sendo crianças… Sem spoiler… Leia mais 25/02/2025 Cinema Paradiso Cinema Paradiso: Uma Ode à Magia do Cinema e à… Leia mais 19/02/2025 Cinderela Baiana (1998) Cinderela Baiana (1998) Um clássico do cinema brasileiro? Por Ricardo… Leia mais 18/02/2025 Carregar mais O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.