O Impacto de “Ninho do Mal” na Nova Onda do Terror Independente

Revista Digital O Impacto de “Ninho do Mal” na Nova Onda do Terror Independente No cenário do terror contemporâneo, um filme que vem ganhando crescente reconhecimento por sua originalidade é o finlandês Ninho do Mal (Pahanhautoja), lançado em 2022. Dirigido por Hanna Bergholm, a obra não só destaca-se como um exemplo de terror autoral, mas também faz parte de uma nova fase para o cinema de gênero, ao explorar com sutileza temas psicológicos, sociais e existenciais. Sua recepção positiva, tanto pela crítica quanto pelo público, reflete o crescente apelo de produções independentes que buscam fugir dos padrões tradicionais do gênero e se aproximar de uma narrativa mais pessoal e inquietante. Ninho do Mal segue a história de uma jovem chamada Tinja, que vive sob a pressão de uma mãe perfeccionista e autoritária, enquanto ela própria tenta encontrar sua própria identidade. Quando Tinja encontra um ovo misterioso, as consequências dessa descoberta vão além de sua imaginação, desafiando suas próprias crenças sobre o corpo, a maternidade e a identidade. O filme mistura terror psicológico com elementos de body horror, criando uma atmosfera única e perturbadora, em que o grotesco se torna uma metáfora de questões familiares e identitárias. O que torna Ninho do Mal relevante na atual cena do terror é sua capacidade de se afastar das fórmulas típicas e apostar em uma narrativa que não se limita a sustos fáceis ou à violência explícita. A abordagem de Bergholm, marcada pela sutileza e simbolismo, reflete uma tendência crescente no terror independente, onde a atmosfera e a construção psicológica são tão ou mais importantes do que os elementos viscerais. Nesse sentido, o filme aproveita um caminho já desenhado para uma nova geração de cineastas que procuram usar o gênero não apenas para assustar, mas também para provocar reflexão e discussão. A importância de Ninho do Mal também está ligada ao seu formato de produção independente. Em uma indústria cinematográfica dominada por grandes estúdios e franquias, o filme finlandês surge como um exemplo de como o terror autoral pode encontrar seu espaço em um mercado saturado. A produção de baixo orçamento, unida à liberdade criativa de Bergholm, permitiu que o filme fugisse das convenções comerciais e buscasse um olhar mais pessoal sobre o gênero. A estética visual de Ninho do Mal também é um ponto de destaque. A fotografia cuidadosamente composta, o uso simbólico de cores e a tensão crescente ao longo da trama contribuem para a construção de um filme que, ao mesmo tempo, evoca o clássico terror europeu e abre portas para uma nova forma de encarar o medo. A obra se alinha com uma tradição do cinema de terror que mistura o fantástico com a realidade emocional, criando uma experiência cinematográfica densa e reflexiva. Ao longo dos últimos anos, o terror autoral e independente tem conquistado uma audiência cada vez mais fiel, sendo reconhecido por sua capacidade de explorar questões sociais e psicológicas de forma mais profunda e inovadora. Filmes como Ninho do Mal são uma prova de que o gênero continua evoluindo e que novas vozes estão transformando a maneira como o medo é representado no cinema. Com sua estreia internacional, a produção de Bergholm se insere nesse movimento de renovação do terror, consolidando o filme como um exemplo dentro dessa nova onda de produções independentes e autorais que estão ganhando destaque no cenário mundial. Assim, Ninho do Mal não apenas reafirma o potencial do terror como um gênero flexível e multifacetado, mas também aponta para um futuro onde a liberdade criativa e a narrativa mais íntima se tornam essenciais para a reinvenção do gênero. Leia Também Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Críticas Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Tipo o south park,… Leia mais 20/06/2025 Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Críticas Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Um… Leia mais 04/06/2025 O céu de Suely (2006) Críticas O céu de Suely (2006) Parece um conto de… Leia mais 27/05/2025 (500) dias com ela (2009) Críticas (500) dias com ela (2009) Um filme problemático e… Leia mais 21/05/2025 A Garota Ideal (2007) Críticas A Garota Ideal (2007) Já vi cenas desse filme… Leia mais 06/05/2025 Carregar mais
Exploradas e sexualizadas: a história não é tão simples assim pt.3

A teoria do “olhar masculino”, termo batizado por Laura Mulvey, uma feminista britânica da teoria do cinema como “male gaze”, descreve o gênero terror como…
Da Tradição ao Novo Olhar: A Evolução dos Vampiros no Cinema e Suas Conexões

Revista Digital Da Tradição ao Novo Olhar: A Evolução dos Vampiros no Cinema e Suas Conexões A mitologia dos vampiros, símbolo de sedução e terror, tem sido uma constante no cinema desde os primeiros anos da sétima arte, evoluindo e se adaptando a diferentes contextos culturais e sociais. Ao longo das décadas, filmes sobre vampiros não apenas exploraram a eterna luta entre o bem e o mal, mas também refletiram as mudanças nos medos e nas paixões da humanidade. Desde o icônico Nosferatu (1922), de F.W. Murnau, até o Nosferatu (2024), de Robert Eggers, a figura do vampiro se transformou, mas sua essência, que mistura desejo e morte, permanece imortal. Esta evolução é vista de maneira única através de obras como Fome de Viver (1983), de Tony Scott, Buffy, a Caça-Vampiros (1992), de Fran Rubel Kuzui, A Rainha dos Condenados (2002), de Michael Rymer, e muitas outras. Vamos explorar as semelhanças, as diferenças e o impacto dessas obras no público e na crítica especializada. O Começo da Lenda: Nosferatu (1922) e Nosferatu (2024)A jornada do vampiro no cinema começa com o monumental Nosferatu de Murnau, um dos primeiros filmes de terror a explorar a figura do vampiro com o famoso personagem Conde Orlok, que se distanciava da imagem romântica do vampiro para se tornar uma criatura grotesca e assustadora. A obra alemã, em preto e branco, com sua estética expressionista e a ameaça constante do invisível, estabeleceu os fundamentos da mitologia cinematográfica dos vampiros. Em 2024, o diretor Robert Eggers traz sua versão de Nosferatu, retomando a ideia do clássico, mas com uma abordagem mais moderna. Embora a estética expressionista do original seja mantida, o filme busca explorar questões contemporâneas de isolamento, identidade e a natureza do mal, conectando a criatura da noite com dilemas humanos mais profundos. A comparação entre os dois filmes evidencia a evolução da representação dos vampiros, que, de uma ameaça impessoal, se torna uma metáfora para medos psicológicos modernos. O Vampiro e o Medo da Sexualidade: Fome de Viver (1983) e Garotos Perdidos (1987)O terror dos anos 80 viu uma virada nas representações dos vampiros, particularmente com Fome de Viver, de Tony Scott, e Garotos Perdidos, de Joel Schumacher. Ambos os filmes incorporaram uma visão mais sensual e jovem da mitologia, distantes da figura aterrorizante de Orlok. Fome de Viver traz David Bowie e Catherine Deneuve como vampiros imortais que simbolizam o desejo e a decadência. O filme explorou a atração fatal dos vampiros, com um toque de crítica social sobre o envelhecimento e o ego, destacando como os vampiros podem ser tanto predadores quanto vítimas de seus próprios impulsos. Garotos Perdidos, por outro lado, foi uma mistura de ação, comédia e horror, abordando a juventude rebelde através de uma história de vampiros adolescentes. A obra é um reflexo de uma era de incertezas sociais e foi bem recebida, especialmente por seu tom irreverente e sua representação mais humanizada dos vampiros, algo que se repetiria em muitos filmes seguintes. Vampiros Como Símbolos de Rebeldia e Solidão: Lábios de Sangue (1978), Rainha dos Condenados (2002) e Amantes Eternos (2013)Nos anos 70 e 80, o vampiro passou a ser reinterpretado como um símbolo de rebeldia e, muitas vezes, solidão. Lábios de Sangue, de Jean Rollin, trouxe um toque poético à figura do vampiro, com foco na angústia existencial da imortalidade. Já Rainha dos Condenados, baseado nos livros de Anne Rice, de Michael Rymer, mergulhou na sensualidade e na melancolia de vampiros imortais, com Aaliyah em sua última performance cinematográfica como a poderosa Akasha. Esse filme, embora tenha sido criticado por não capturar a profundidade dos livros, traz à tona a imagem do vampiro como um ser que busca identidade e domínio sobre os outros, muito mais do que uma simples ameaça. Amantes Eternos, de Jim Jarmusch, foi uma abordagem introspectiva e filosófica do gênero, com vampiros como figuras profundamente entediadas pela eternidade. O filme é uma meditação sobre a imortalidade e os dilemas existenciais dos vampiros, que estão acima do bem e do mal, mas ao mesmo tempo presos a suas próprias obsessões. A Modernização e o Humor: Hotel Transilvânia e Mamãe Saiu Com um VampiroMais recentes, produções como Hotel Transilvânia (2012), de Genndy Tartakovsky, e Mamãe Saiu Com um Vampiro (1996), de Steve Boyum, trazem uma perspectiva completamente diferente: o vampiro como figura de comédia e fantasia. Hotel Transilvânia, com sua animação vibrante, apresenta Drácula como um pai protetor e comedido, em contraste com os vampiros mais ameaçadores dos filmes anteriores. O filme explora a ideia de aceitação e família de uma forma leve e divertida, trazendo o terror para um público jovem. Por outro lado, Mamãe Saiu Com um Vampiro mistura elementos de romance e comédia familiar, trazendo os vampiros para o universo das adolescentes e suas aventuras amorosas. Embora tenha sido menos reconhecido pela crítica, o filme conseguiu criar uma base de fãs ao retratar os vampiros de maneira mais acessível e até cômica. O Vampiro Contemporâneo: Def by Temptation (1990), Bizantium (2012) e O Vício (1995)Filmes como Def by Temptation (1990), de James Bond III, e Bizantium (2012), de Neil Jordan, trouxeram uma abordagem mais sombria e filosófica para o gênero, com vampiros sendo mais associados ao desejo, à tentação e à moralidade. Def by Temptation é um exemplo de como o gênero pode se misturar com o terror psicológico e o suspense, enquanto Bizantium oferece uma visão mais feminista e empoderada da mitologia vampírica, com vampiras imortais que lutam para manter sua humanidade em um mundo moderno. Por fim, O Vício (1995), de Abel Ferrara, e Cronos (1992), de Guillermo del Toro, propuseram vampiros com uma aura mais sinistra e introspectiva. Em Cronos, del Toro introduziu um vampiro que, ao invés de ser uma criatura de pura destruição, é moldado pela dor, pela busca de redenção e pela complexidade emocional. Isso anteciparia sua própria reinvenção do gênero com A Forma da Água. Conclusão: O Vampiro no CinemaA mitologia dos vampiros no cinema atravessa uma série de transformações, adaptando-se às mudanças culturais
“Argo” Recebe Elogios e Críticas, Mas Consolida Seu Sucesso Como Thriller Histórico

Revista Digital “Argo”: Críticas Mistas, Mas Uma Apreciação Geral Pelo Suspense e pela Direção Lançado em 2012, Argo rapidamente se tornou um dos filmes mais discutidos da década, recebendo uma mistura de críticas positivas e negativas, mas conquistando, em última análise, uma grande aceitação tanto da crítica quanto do público. Dirigido e estrelado por Ben Affleck, o filme conta a história real da operação de resgate de seis diplomatas americanos durante a crise dos reféns no Irã, em 1979, e foi amplamente elogiado por sua habilidade de criar tensão e suspense. A crítica especializada, de maneira geral, aplaudiu Argo por sua direção habilidosa e pela forma como Affleck conseguiu equilibrar a tensão de um thriller com momentos de humor e até ironia. Muitos destacaram a competência do diretor em transformar uma história complexa e histórica em uma narrativa acessível, que não perde o ritmo e mantém o espectador envolvido. A montagem de William Goldenberg foi igualmente elogiada, com o ritmo acelerado e os cortes rápidos contribuindo para uma sensação de urgência que permeia todo o filme. A performance de Affleck como o agente da CIA Tony Mendez também foi considerada sólida, embora alguns críticos tivessem opiniões mais reservadas sobre a sua atuação. Embora sua interpretação tenha sido vista como competente, alguns apontaram que o ator não conseguiu explorar toda a complexidade do personagem, ficando um tanto aquém de outras performances do elenco de apoio. Alan Arkin, por outro lado, foi amplamente aclamado por sua interpretação afiada e carismática como o produtor de Hollywood que se envolve na operação. No entanto, Argo não escapou de críticas. Alguns especialistas em cinema questionaram a precisão histórica do filme, especialmente no que diz respeito à simplificação de certos eventos e à maneira como o papel de outros países e de elementos da operação foi minimizado. A dramática “licença poética” tomada pelo filme, incluindo o papel de Hollywood na operação de resgate, foi vista por alguns como uma distorção da realidade para aumentar o apelo cinematográfico. Isso gerou um debate sobre o equilíbrio entre o entretenimento e a fidelidade histórica, com alguns acusando o filme de suavizar aspectos importantes da trama real para torná-la mais palatável para o público. Além disso, apesar de ser uma produção de grande sucesso, Argo também foi criticado por ser um tanto convencional em sua abordagem do gênero de suspense. Alguns críticos sentiram que o filme seguiu um caminho previsível ao utilizar os elementos tradicionais de um thriller de espionagem, o que, para alguns, impediu a obra de alcançar um grau maior de profundidade ou inovação. Por outro lado, o público foi amplamente favorável ao filme, aplaudindo a maneira como Argo conseguiu transformar um evento histórico complexo em um thriller emocionante e cativante. A tensão crescente ao longo do filme, combinada com o clima de incerteza e a iminente ameaça de violência, cativou o público e fez com que a obra se tornasse um sucesso de bilheteira. O fato de o filme ter sido bem recebido por uma audiência global também demonstrou sua capacidade de atrair pessoas fora do contexto norte-americano, ressaltando sua universalidade. Em termos de impacto cultural, Argo não só conquistou diversos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme, mas também gerou discussões sobre a representação da história no cinema. Enquanto alguns elogiaram o filme por sua forma criativa de recontar um evento pouco conhecido, outros sentiram que ele simplificou a complexidade da história em detrimento da autenticidade. No final, Argo permanece como um filme que, apesar das críticas mistas, conseguiu deixar uma marca indelével no cenário cinematográfico, sendo reconhecido como um exemplo de suspense bem construído e uma representação instigante de um episódio crucial da história moderna. O filme solidificou Ben Affleck como diretor e abriu portas para uma nova fase de sua carreira, ao mesmo tempo em que se tornou um grande sucesso de público e crítica.
Orfeu do Carnaval

Revista Digital Os Conflitos e Polêmicas por Trás de “Orfeu do Carnaval” Lançado em 1959, Orfeu do Carnaval é um dos filmes mais emblemáticos da história do cinema brasileiro, uma adaptação cinematográfica da peça homônima de Vinícius de Moraes. Dirigido por Marcel Camus, o filme ganhou reconhecimento internacional, inclusive conquistando a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No entanto, por trás do sucesso mundial, o filme também foi cercado por uma série de controvérsias e questões polêmicas que, até hoje, geram debates sobre seu legado. A principal controvérsia se deu em torno da representação da cultura brasileira e a forma como o filme abordou o samba e o Carnaval, elementos centrais da história e da identidade nacional. Orfeu do Carnaval foi filmado em uma favela do Rio de Janeiro e apresenta a história do mitológico Orfeu, reinterpretada no contexto do Carnaval carioca. A trama, cheia de música e tragédia, é uma versão moderna do mito grego, onde Orfeu, interpretado por Breno Mello, se apaixona por Eurídice (Marpessa Dawn), e a história se desenrola em meio a um cenário de samba, amor e fatalidade. Contudo, muitos críticos e intelectuais da época apontaram uma visão estereotipada e exotificada do Brasil, acusando o filme de romantizar a pobreza e a violência das favelas cariocas. Alguns consideraram que a obra perpetuava uma ideia de Brasil “tropical”, reduzindo as complexidades sociais e culturais do país a uma simples exibição de cores e músicas. Para esses críticos, o filme não representava a realidade do povo brasileiro, mas uma visão idealizada e distante. Outro ponto controverso foi a escolha do elenco. A atriz americana Marpessa Dawn, que interpretou Eurídice, foi escolhida para o papel, o que gerou uma série de críticas quanto à falta de valorização do talento local. Além disso, a presença de uma atriz estrangeira em um filme que se propunha a ser uma representação genuína da cultura brasileira foi vista por muitos como uma falta de sensibilidade cultural. As críticas à forma de retratar o Brasil também foram reforçadas por um certo distanciamento entre a produção do filme e a realidade social do país. Orfeu do Carnaval foi uma produção financiada em grande parte por investidores estrangeiros, o que, para muitos, trouxe à tona questionamentos sobre a verdadeira intenção do filme: seria uma homenagem à cultura brasileira ou apenas mais uma tentativa de vender a imagem do Brasil para o exterior? No entanto, apesar dessas controvérsias, Orfeu do Carnaval é um filme que conseguiu atravessar as barreiras do tempo e, hoje, é reconhecido como um marco do cinema mundial. Sua fusão entre música, mitologia e a vibrante cultura carioca resultou em um clássico, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e ajudou a consolidar o samba como um dos maiores símbolos culturais do país. Hoje, passados mais de seis décadas desde seu lançamento, Orfeu do Carnaval continua sendo um filme discutido e reinterpretado, tanto por suas qualidades artísticas quanto pelas questões sociais e culturais que levantou. Ao mesmo tempo em que é celebrado como uma obra-prima, o filme ainda provoca debates sobre a representação da cultura brasileira no cinema e sobre os limites entre a arte e a idealização de uma realidade complexa e multifacetada.
O Papel que Consolida Tom Hanks como um dos Maiores Atores de Sua Geração

Revista Digital O Papel que Consolida Tom Hanks como um dos Maiores Atores de Sua Geração Em 2002, Tom Hanks estreou em um papel que representaria um divisor de águas em sua carreira. O filme Estrada para Perdição (Road to Perdition), dirigido por Sam Mendes, revelou uma nova faceta do ator, conhecida principalmente por seus papéis em filmes como Forrest Gump e O Resgate do Soldado Ryan. Neste thriller sombrio, baseado na graphic novel de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner, Hanks interpreta Michael Sullivan, um assassino de máfia da década de 1930, um homem marcado pela violência, mas com um profundo senso de lealdade e amor pela família. Este papel foi um desafio significativo para Hanks, que até então era amplamente reconhecido por suas interpretações de personagens mais otimistas ou heroicos. Ao se afastar de sua imagem de bom mocinho, o ator mostrou sua versatilidade, entregando uma performance contida e melancólica, mas igualmente poderosa. A transição de Hanks para papéis mais sombrios e complexos marcou um momento crucial em sua carreira, consolidando-o como um dos maiores atores de sua geração. A colaboração com Mendes, que também trouxe a excelência de direção ao filme, foi fundamental para o sucesso de Estrada para Perdição. A trama de redenção e a luta interna do personagem de Hanks, imerso em dilemas morais e pessoais, permitiram ao ator explorar novas dimensões emocionais, provando seu talento em uma narrativa carregada de tensão e tragédia. Além disso, o filme apresentou uma impressionante fotografia de Conrad Hall (que lhe rendeu um Oscar póstumo), e uma atuação sólida de Paul Newman, que, ao lado de Hanks, elevou ainda mais o nível da produção. O sucesso do filme no circuito de premiações também solidificou a credibilidade do ator em papéis mais dramáticos, afastando-o da imagem de “astro de comédia” e expandindo suas possibilidades no cinema. Em retrospectiva, Estrada para Perdição foi mais que um projeto de sucesso; foi um marco na carreira de Tom Hanks, um ponto de inflexão que permitiu que ele se reinventasse como ator, explorando uma gama mais ampla de personagens e ampliando seu legado cinematográfico. O filme não apenas reforçou sua habilidade de entregar performances impactantes em dramas profundos, mas também o estabeleceu como um dos artistas mais respeitados e versáteis de Hollywood. Ao olhar para trás, é inegável que Estrada para Perdição desempenhou um papel essencial na evolução de Tom Hanks, reafirmando sua posição de destaque e demonstrando que sua habilidade para se reinventar é uma das características mais notáveis de sua carreira.
A importância do contexto para os clássicos

Um estudo sobre a herança que os clássicos deixam para as próximas gerações
Reality+ (2014)

Críticas Reality+ (2014) Coralie Fargeat plantou a sementinha de “the substance” e você nem sabia … Por Ricardo Rodrigues @imaginealgolegalaqui Leia Também Aurora (2025), de João Vieira Torres Críticas Aurora (2025), de João Vieira Torres Um filme-ensaio que… Leia mais 21/06/2025 Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Críticas Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Tipo o south park,… Leia mais 20/06/2025 Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Críticas Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Um… Leia mais 04/06/2025 O céu de Suely (2006) Críticas O céu de Suely (2006) Parece um conto de… Leia mais 27/05/2025 (500) dias com ela (2009) Críticas (500) dias com ela (2009) Um filme problemático e… Leia mais 21/05/2025 Carregar mais SEM SPOILER! Reality+ é um curta metragem da diretora de “the substance” (Coralie Fargeat). Apesar de não ter cenas explícitas graficamente, o curta nos causa questionamento sobre aceitação, padrão de beleza e também sobre relacionamentos com as pessoas. No curta, somos apresentados a um futuro distante, onde as pessoas adquirem um chip e podem ter a aparência que quiserem. É nessa jornada que conhecemos Vicent, um homem comum de aproximadamente 40 anos que compra essa experiência. Vicent altera rosto, corpo e voz ao ponto de ficar dentro de um padrão de beleza padrão… Mas acaba voltando a ser comum após 12h, que é o período máximo que o chip suporta. Vicent é um homem solitário e de certa forma, triste. Com a nova versão “Vicent+” fica mais confiante, seguro, sociável a ponto de atrair olhares por onde passa. Durante a noite (após o efeito das 12h passarem) Vicent vai até o terraço do prédio que mora, e encontra sua vizinha que fica a admirando de longe. Acontece que Vicent – assim como nós, está inserido em um sociedade que exige um padrão de beleza inalcançável a maioria de nós, essa pressão social nos causa incômodo, a ponto de realizar alterações no corpo para ficar bem consigo mesmo. Claro que, no curta metragem uma hora “dá ruim” em Vicent, ao mesmo tempo, nos leva a refletir: e se simplesmente aceitarmos quem somos? Vicent chamou atenção da vizinha uma vez com a sua aparência real e foi correspondido, logo, poderia deixar de ser totalmente solitário. Esse curta metragem de 22 minutos na verdade nos causa reflexão, e sim, lembra bastante a série “black mirror”. Apesar de ser realizado antes de 2020, notamos “traços da época”, muito CGI aplicado e provavelmente feito em Chroma Key. Possui ângulos de câmera médios, e primeiro plano também (o que garante uma imersão no espectador). Quanto ao roteiro, a premissa simples é cativante (junto com o dinamismo rápido, realmente não vemos o tempo passar ao assistir o longa) atuações boas e convincentes, nos prendem a atenção do início ao fim. O humor está presente, mas de maneira sutil (apenas em algumas cenas específicas). Não sei afirmar ao certo se esse filme foi o início do “the substance” mas tem vários aspectos em comum e com certeza por se tratar do trabalho da Coralie Fargeat, creio que “the substance” é o “Reality+ versão estendida e com imagens explícitas”. Se eu pudesse avaliar o curta em uma nota de zero a cinco, daria 3. No IMBD o curta possui a nota 7,5 de 10. Se você quiser assistir, está disponível no prime video e na mubi. O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.
Exploradas e sexualizadas: o conto da imagem feminina nos filmes de terror pt. 2

Um estudo de desejo e poder, entre sensualidade e complexidade
Filmes de 2024 que podem ter escapado do seu radar

Críticas Filmes de 2024 que podem ter escapado do seu radar Por Larissa Blanco @filme.da.semana Um novo ano se inicia, com lançamentos no cinema de filmes que, bom, não necessariamente são de 2025. A distribuição de filmes no Brasil é um tópico à parte e não é exatamente o que eu quero falar hoje aqui, mas não é incomum algumas obras demoram um pouco para chegarem aqui. No texto de hoje quero dar diquinhas para vocês, de três filmes que foram lançados nos cinemas brasileiros no ano de 2024, ainda que em circuitos limitados, e por isso podem ter passado despercebidos. Mas se vocês forem procurar mais sobre eles vão ver que são filmes de 2023, por isso dei aquela introdução ali em cima. Eu queria uma desculpa para falar de três filmes aleatórios e achei que esse tema faria sentido. Mas vamos lá. O sabor da vida (La passion de Dodin Bouffant, dirigido por Tran Anh Hùng) Disponível no Prime Video Esse filme ficou meio famoso em algumas bolhas cinéfilas por ter sido a escolha da França para o Oscar 2023 ao invés de “Anatomia de uma queda”. E eu acho que isso não ajuda na popularidade dele. Mas eu adorei esse filme, ele é ótimo para quem, como eu, adora ver vídeo de gente cozinhando. Metade dele é isso, um grande ASMR de uma cozinha vintage, um pornô de comidas sendo preparadas, algo que algumas pessoas podem achar meio chato, mas que pra mim é o diferencial do filme. A outra metade envolve um romance entre os dois protagonistas numa fase tardia da vida. Ele é um chefe de cozinha renomado, convidado a cozinhar para o rei. Ela é seu braço direito, quem põe a mão na massa para tornar os pratos realidade. Eu achava que essa história ia por caminhos diferentes, mas gostei bem mais do que ele de fato é. E não assistam de barriga vazia. Meu amigo robô (Robot dreams, dirigido por Pablo Berger) Disponível na Mubi “Robô selvagem” não foi o único filme emocionante com protagonista metálico que me fez chorar em 2024, e acho esse fato curiosíssimo. “Meu amigo robô”, uma animação espanhola que se passa na Nova York dos anos 80, com um traço todo vintage, e sem nenhuma linha de diálogo é daqueles filmes que fazem você perceber que a arte transcende a barreira de qualquer idioma. A história, povoada de animais antropomorfizados, acompanha um cachorro solitário que compra um robô companheiro. O filme passa longe de comentários sobre assistentes inteligentes ou da nossa dependência da tecnologia, esse não é o ponto aqui. O que importa é a amizade que surge entre o cão e o robô e o que acontece quando são bruscamente separados. Uma análise sincera e profunda de como nossos relacionamentos nos moldam e de como a vida nos transforma. A natureza do amor (Simple comme Sylvain, dirigido por Monia Chokri) Disponível na Reserva Imovision Esse filme toca num ponto que eu, particularmente, não gosto muito, que é a infidelidade. Mas mais do que colocar o ponto de vista na protagonista pra gente sentir o que ela sente e não se sentir culpado por torcer pelo adultério, eu gosto de como o filme discute o que é amor, e porque esse sentimento é importante pra gente. E o romance é bem bom também, uma coisa dos opostos se atraem, gostei bastante. Espero que vocês gostem de pelo menos um desses filmes 🙂 Leia Também Aurora (2025), de João Vieira Torres Críticas Aurora (2025), de João Vieira Torres Um filme-ensaio que… Leia mais 21/06/2025 Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Críticas Fudêncio e seus amigos (2005-2011) Tipo o south park,… Leia mais 20/06/2025 Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Críticas Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009) Um… Leia mais 04/06/2025 O céu de Suely (2006) Críticas O céu de Suely (2006) Parece um conto de… Leia mais 27/05/2025 (500) dias com ela (2009) Críticas (500) dias com ela (2009) Um filme problemático e… Leia mais 21/05/2025 Carregar mais O Projeto A Sala afirma que todos os textos do site são de responsabilidade do próprio autor.